quinta-feira, 27 de maio de 2010

Postal Ferroviario

Notícia de última hora: extinção da RAVE

Claro que é possível que esta notícia venha a ser cabalmente desmentida ainda hoje pelo Governo... para amanhã ser confirmada e logo à tarde desmentida outra vez. Para no outro dia o Pinóquio vir dizer: é uma situação que está a ser ponderada... Este Governo é uma palhaçada total. Ainda anteontem escrevi ao Sr. Ministro António Mendonça a carta que anexo.
 
 
 
 
Alta velocidade

Empresa do TGV será extinta e integrada na Refer

Nuno Miguel Silva e Miguel Costa Nunes  
27/05/10 00:05

O projecto de alta velocidade ferroviária em Portugal está a ser discutido há cerca de 20 anos.
O projecto de alta velocidade ferroviária em Portugal está a ser discutido há cerca de 20 anos.
Adjudicação do primeiro contrato de TGV e adiamento dos outros tira sentido à RAVE.
A empresa pública encarregue de definir a estratégia para a rede de alta velocidade ferroviária em Portugal vai ser extinta. O Diário Económico apurou que a Rede de Alta Velocidade (RAVE) será dissolvida e os seus quadros profissionais integrados na Refer, a empresa, também estatal, encarregue da gestão da rede ferroviária nacional.
Apesar de fonte oficial do Ministério das Obras Públicas ter desmentido, o Diário Económico sabe que a RAVE, uma empresa pública constituída no ano de 2000 para assegurar a condução dos projectos dos troços de TGV em Portugal, vai ser dissolvida a curto-prazo.
Segundo fonte ligada ao sector, esta medida faz todo o sentido. Numa conjuntura de crise financeira internacional, em que a liquidez dos mercados é diminuta, o projecto português de alta velocidade ferroviária deixou de ser prioritário.



Nota:
Antigamente havia a ANA. Hoje temos a ANA, a NAV, e a NAER, respectivamente Aeroportos e Navegação Aérea; Navegação Aérea (?!); e Novo Aeroporto. Jobs for the boys.
Antigamente havia a CP. Hoje temos a CP, a REFER, e a RAVE, respectivamente comboios; vias férreas; e rede de alta velocidade. Jobs for the boys.
Quando é que o Pinóquio se desdobra em Rins, Fígado, Pulmões, Coração, respectivamente para transplante de rins, de fígado, de pulmões, e de coração? Isso é que era!






Exmo. Sr. Ministro da Obras Públicas,  Prof. Doutor António Mendonça:

Venho pela presente dar-lhe a conhecer uma carta que enviei recentemente ao Sr. Primeiro Ministro e que julgo que será do seu interesse ter conhecimento:

«Exmo. Sr. Primeiro Ministro,

nos últimos 3 anos da minha vida dediquei cerca de 2 horas por dia a estudar as questões do Novo Aeroporto e do impropriamente chamado TGV. Orgulho-me de estudar os documentos de uma ponta à outra e de os reler várias vezes. Estou ligado a um grupo informal de pessoas que têm lutado nestas questões. […]

Escrevo-lhe para lhe dar um conselho que acho que poderá ser um conselho triunfal. Um conselho que, mais tarde – encontrar-nos-emos algum dia, estou certo – dir-me-á que teve valor.

Sr. Primeiro Ministro, se quer ganhar a batalha do “TGV”, abandone a expressão TGV. Os portugueses já adquiriram um ódio visceral a essa expressão. Leia os comentários às notícias que falam sobre o assunto e verá. (O google tem a função de receber um aviso de notícias sempre que estas abordem a palavra TGV. Recebo cerca de 20-30 por dia). Mas, como estava a dizer, TGV, para os portugueses, significa despesismo, elefante branco, amiguismo, compadrio, apertar o cinto, corrupção, favores aos do costume, etc..

Não posso ser mais sintético sobre esta questão do que transcrevendo-lhe uma frase que afixo agora em todas as notícias sobre o TGV. Reza assim:

«Título: Resmas, paletes, de mercadorias!
Texto: Por que razão os políticos e a comunicação social chamam TGV a uma linha férrea? Como é que se confunde o meio de transporte chamado “TGV” com a infra-estrutura onde esse TGV (e outros comboios, desde que de bitola europeia!) circulam? Alguém fala em “Ferrari” quando se discute a construção de uma auto-estrada? Alguém chama “Boeing” a um aeroporto? Alguém chama “belo traseiro” à cadeira onde a dona do traseiro o senta? A conversa de malucos instituída pelos políticos e pela comunicação social vai continuar, ou isto é apenas o novo acordo ortográfico na sua pior expressão? É que se o investimento em TGVs (comboios) é uma insensatez, a construção de linhas de bitola europeia é absolutamente necessária! Ou vamos continuar a importar paletes de chocolate suíço e exportar resmas de papel e tudo o que é mercadoria por camião TIR? Alguém explica isto ao Sr. Presidente da República, ao Sr. José Sócrates, e ao Sr. António Mendonça? (p.s.: sou contra o TGV mas a favor da construção das linhas férreas em bitola europeia para transporte misto, isto é, de mercadorias e passageiros, a começar pela linha de Sines-Poceirão-Caia.)»

Excelência: evite ao máximo o termo TGV. O que os portugueses querem é uma ferrovia europeizada, sem custos megalómanos (quando o Sr. fala em TGV, activa nos portugueses, inconscientemente, a fobia aos elefantes brancos), em bitola europeia, que nos ligue directamente, sem transbordos caros e demorados, à Europa além-Pirenéus. Para dizer isto não só não é preciso falar em TGV como é até contra-producente fazê-lo.

Instrua, peço-lhe, o Sr. Ministro das Obras Públicas e restantes membros do Governo a fazer o mesmo. Seria bom que V. Exa. e o Sr. Ministro António Mendonça dissessem, nas várias intervenções que fazem amiúde à comunicação social, qualquer coisa como: “Bem, nós quando falamos em TGV, é preciso desde já esclarecer que é uma maneira, talvez não devidamente ilustrativa, admito, de falarmos das linhas férreas de bitola europeia que permitirão exportar e importar mercadorias a um custo muito mais diminuto que o transporte habitual – que como todos vós saberão é o camião, o camião TIR – e que permita, claro, igualmente, o transporte de passageiros num tempo e a um preço concorrencial”. É preciso subtileza para bem comunicar.

Sr. Primeiro Ministro, muito gostaria que esta minha ideia o ajudasse a explicar ao País o que quer para todos nós.

Com os meus melhores cumprimentos,

Gabriel Órfão Gonçalves»

Sr. Ministro das Obras Públicas:

Quero dar-lhe os meus Parabéns pela insistência no projecto das LEMAV (Linhas Europeias Mistas de Alta Velocidade) (por favor, Sr. Ministro, não lhe chame "TGV"! Desculpe a veemência da minha chamada de atenção, mas queira acreditar que é para sucesso, junto do povo, dos seus projectos!).

Agora a parte crítica: quando ligaremos os portos de Setúbal e Sines ligados ao Poceirão (excelente sítio para se fazer aí um nó de carga), mas por bitola europeia?
Considero um erro histórico ligar-se Sines a Espanha por bitola ibérica. É uma linha condenada a curto prazo! O dinheiro gasto nesta linha seria mais bem empregado na construção da ligação, sempre em bitola europeia, dos referidos portos ao Poceirão. Portugal precisa de dinheiro como nunca. Com uma rede coerente Portugal pode ocupar um lugar ímpar na Europa como porta de entrada e saída de mercadorias. Os portos portugueses possuem capacidades extraordinárias! Não é com ligações em bitola ibérica que vamos lá, Exa.!

Ainda vamos a tempo de parar a ligação em bitola ibérica e fazer tudo em bitola europeia.

Outro assunto: não acredito na viabilidade da exploração de comboios de Alta Velocidade (mais de 250 Km/h). Portugal deveria apostar tão só na chamada Velocidade Elevada (até 250 Km/h), que ainda assim permitiria uma ligação de Lisboa a Madrid em 3 horas e meia, segundo os meus cálculos.

E —sobre este assunto nunca lhe ouvi uma palavra, mas admito que seja devido a distracção minha—  quando decide a presente legislatura avançar para a reabertura da vergonhosamente extinta (por Durão Barroso!) SOREFAME? Já pensou em quantos postos de trabalho seriam criados? O orgulho nacional que tal projecto traria? O efeito indutor positivo para o restabelecimento de uma verdadeira e coesa indústria nacional de metalurgia e metalo-mecânica?
Peço-lhe, Sr. Ministro, que crie um grupo de trabalho para estudar a reabertura da SOREFAME. Portugal deve ter orgulho e ter a sua própria fábrica de comboios. O Sr. Ministro ficaria na História pelas melhores razões!

Renovo os meus sinceros Parabéns pela coragem em insistir na LEMAV Poceirão-Madrid (a ligação a Lisboa, abordá-la-ei noutra mensagem que lhe hei-de dirigir) e em dar o tão necessário "murro na mesa" em Bruxelas, exigindo que as nossas ligações em bitola europeia sejam consideradas, na sua muito feliz expressão "prioritária entre as prioritárias", e exigir da UE que os fundos de coesão sirvam para isso mesmo: para a coesão! Senti-me pois muito satisfeito com a sua decisão de pedir a Bruxelas que considere o eixo LEMAV Poceirão-Madrid um eixo prioritário!

Com os meus melhores cumprimentos,

Gabriel Órfão Gonçalves,
jurista




terça-feira, 25 de maio de 2010

Os "nossos" CPA Pendulares em Espanha

Postal Ferroviario

Comboios LEGO - BRInCKa 2010

De 3 a 9 de Maio passou pela Lourinhã o evento LEGO BRInCKa 2010. A
webrails.tv motivada pelo imaginário e magia que as construções LEGO
representam, foi espreitar e tentar desvendar um pouco desse reflexo
em locomotivas e carruagens de Caminhos-de-ferro imaginários e
Portugueses.
 
(1/2)
 
 
Uma nota de agradecimento à PLUG (Associação Portuguesa de
Utilizadores de LEGO), a organizadora do BRInCKa 2010, pelo apoio e
atenção dispensada.
 
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Para quem tiver curiosidade de saber um pouco mais da PLUG, e quiser
ficar a par de futuros eventos, fica o link para uma visita -

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No dia 18 de Maio teve inicio a segunda parte da Exposição dedicada
aos 150 de Caminhos-de-ferro no Barreiro promovida pela CM do Barreiro
( http://bit.ly/bgLI7y ). A exposição pode ser vista até 28 de Junho
de terça a sábado das 14 às 20 horas, no antigo Quartel dos Bombeiros
do Sul e Sueste.

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Mais eventos disponíveis em http://www.webrails.tv
 

Rui Ribeiro

domingo, 23 de maio de 2010

Postal Ferroviario

Guardas de passagens de nível. Uma vida a ver passar comboios


Há 11 anos eram mais de 900. Restam 190. Nos próximos anos, a profissão morrerá, com a modernização das linhas e das passagens de nível
Linha do Norte, passagem de nível ao quilómetro 310. Cecília Pereira fala pelo cotovelos - é uma "metralhadora" de palavras. É guarda de passagem de nível (PN) em Esmoriz e não tem mãos a medir com o trabalho. Por dia, passam na PN ao quilómetro 310 da linha do norte 210 comboios. Cecília conta 30 anos de carreira à beira da linha e tem assistido às sucessivas introduções de tecnologia no serviço. Antes, tinha de baixar as cancelas manualmente. Agora, já são automáticas. Mas as inovações que lhe facilitaram a vida nos últimos anos vão ditar, em breve, a extinção do seu posto de trabalho.

Assim que estiver terminada a modernização do troço que liga Ovar a Vila Nova de Gaia - as obras devem arrancar em 2011 -, Cecília Pereira deixará de ser guarda de passagem de nível e irá juntar-se às estatísticas da Refer: em 1999 existiam 908 guardas, espalhadas por todo o país. Hoje, são apenas 190. O objectivo da empresa é "reduzir a sinistralidade". E se em 1999 foram registados 154 acidentes em passagens de nível, hoje o número é bem inferior. No ano passado, aconteceram apenas 49.

Na passagem de nível de Esmoriz, Cecília reveza-se com outra colega para garantir a vigilância entre as oito da manhã e as oito da noite. Antes de chegarem a uma PN, os comboios pisam um sensor no carril, que faz disparar as campainhas e ordena o fecho das cancelas. É então que Cecília sai da barraca, pega na bandeira vermelha, enrolada, e faz sinal ao maquinista, em sentido. O gesto significa que todo o sistema de circulação está operacional e que a PN está livre de obstáculos.

Um dia, fartou-se de acenar aos comboios e resolveu contá-los. "Só das 10 da manhã às 10 da noite contei 91", garante. Porque a profissão exige "responsabilidade e atenção permanente", Cecília prefere abdicar da televisão na barraca onde se abriga. Às vezes, aborrece-se e "as horas custam a passar". Especialmente agora, que já é quase tudo automático. Mas o pior do trabalho - em vias de extinção - são mesmo as campainhas, que se repetem, monocórdicas, centenas de vezes por dia, antes da chegada de cada comboio. "Houve uma altura em que não aguentava mais o barulho. Ia morrendo da cabeça e tive de tomar medicação", recorda. Cecília admite que é uma profissão "difícil". Mas acrescenta: "Foi a que escolhi." Por ser a mais velha de todos os irmãos, teve de se fazer à vida aos 12 anos. Com 24, "andava à hora nas limpezas". A Laura, uma amiga da patroa, era guarda de PN e emigrou para a Venezuela. O lugar ficou vago e, em 1980, Cecília tornava-se substituta - fazia as folgas e as férias das guardas efectivas em Canelas (Gaia). No primeiro dia de trabalho, vestiu uma "saia da moda ao xadrez bege e castanho", que encomendou de propósito a uma modista. Em 30 anos, passou por várias passagens de nível: em Avanca, Oliveira do Bairro, Granja. Tantas que não sabe "enumerar de cor". Durante uma década, fez turnos nocturnos. "Noites em que só se ouvia, no meio do escuro, o barulho do ladrar dos cães e das canas que antigamente havia à beira das linhas do comboio, a sacudirem-se ao vento." Era o tempo em que tinha de carregar as cancelas às costas e desdobrar-se em telefonemas para a estação mais próxima, para avisar se os comboios passavam na PN à tabela.

O que nunca muda, garante, é o facto da passagem de nível ser "um confessionário" e um ponto de passagem "insubstituível". Cecília está habituada à convivência com quem por ali passa, todos os dias. Há os vizinhos, os "bêbedos do costume", os mendigos que vão à procura de esmola. As crianças da escola que exigem atenção redobrada ao atravessar a linha. Os automobolistas que pedem indicações. E, inevitavelmente, os condutores que se irritam quando as cancelas baixam e é preciso esperar. Nessas situações - e porque está ali para garantir a segurança -, Cecília não tem papas na língua. "Alguns insultam-me e já me gritaram: 'Ainda o comboio vai no Porto e tu já estás a fechar a cancela'. E eu às vezes respondo à letra e mando-os comprar umas asinhas e voar por cima", conta. Aliás, segundo a Refer, 95% dos acidentes devem-se à falta de civismo e ao não cumprimento da sinalização. Cecília confirma: "Muitos armam-se em atletas, tentam contornar as barreiras e às vezes corre mal." Apesar de tudo, em 30 anos de serviço nunca teve nenhum dissabor - à excepção do assalto que a barraca sofreu, não há muito tempo: os ladrões levaram-lhe o micro-ondas, uma cadeira e uma ventoínha.

Linha de Cascais, PN ao Km 22,556 Em S. João do Estoril, Maria do Carmo está longe das origens. Ela, que é de Vila Real de Trás-os-Montes. Tem 47 anos e é guarda há 25 - nunca teve outra profissão. Em 1985, começou como substituta na PN de Paço de Arcos. Estava longe de adivinhar que 17 anos depois, em 2002, na de Santos, assistiria à morte instantânea de seis rapazes. "Puseram-se a fazer uma corrida ao lado do comboio. A ideia deles era chegar à passagem de nível antes do maquinista e conseguir atravessar a passagem de nível à frente do comboio", recorda. Tinha acabado de entrar ao serviço, às 6h30, e não se esquece do momento em que o carro foi abalroado. "Depois, ficou completamente desfeito e fez-se silêncio."

Maria do Carmo garante que ultrapassou o choque e, nos últimos anos, assume o comando da única passagem de nível da linha de Cascais com guarda. E que, além disso, ainda tem outra particularidade: é a única do país onde a bandeira que ostenta é verde e não vermelha. Porque quando a linha de Cascais apareceu foi concessionada pela Sociedade Estoril que tinha uma regulamentação muito própria. "Eficaz, mas mais ligeira em termos de procedimento", explica o inspector de circulação da linha, José Rodrigues. Na PN de S. João do Estoril passam 110 comboios por dia. Assim que seja construída uma passagem inferior para peões junto à estação - já protocolada com a Câmara de Cascais - a última representante das guardas naquela linha deixará de ser precisa. O que, garante a Refer, não significa que o vínculo à empresa se extinga. "Tentamos a reintegração em novas funções. Há antigas PN a exercer tarefas de secretariado, de triagem de correspondência, entre outros serviços."

Linha do Norte, PN ao Km 3,594 Poço do Bispo, Lisboa. É quase hora de almoço. A campainha da PN dispara de repente, as cancelas fecham-se e uma idosa arrisca e passa a barreira para chegar ao outro lado da linha. Caminha devagar, com uma muleta na mão direita e uma pequena botija de gás na mão esquerda. Aida Esteves, a guarda da PN, abana a cabeça em jeito reprovador e aproveita para explicar que este é um comportamento frequente e de evitar. "Pensam que conseguem ter tempo para passar, mas às vezes há azares", resmunga. Em Poço de Bispo, a PN é ponto de passagem de muitos idosos do bairro de Marvila. "E os hábitos estão tão enraizados que é difícil sensibilizar para a questão da segurança", conta. Aida é uma das poucas e últimas verdadeiras guardas de passagem de nível - ainda tem de dar à manivela para baixar as cancelas. Acena à passagem dos comboios com a bandeira na mão direita e uma lata de petardos e uma corneta na esquerda - objectos que quase já não têm utilidade. "A corneta servia para ajudar os maquinistas a fazer manobras e os petardos encaixam-se nos carris em caso de anomalia e rebentam à passagem do comboio, avisando o maquinista de que deve parar."

Assim que o TGV chegar, a missão de Aida, agora com 47 anos, termina e a linha será modernizada e automatizada. E depois? "Estou mentalizada para o fim. Não sei o que irei fazer, mas quero continuar na empresa. A minha vida foi toda isto, os comboios."

por Rosa Ramos

sábado, 22 de maio de 2010

Postal Ferroviario

Tribuna ´Pública - DIGA NÃO ÀS PRIVATAIZAÇÕES

O Sindicato SNTSF, conjuntamente com as Comissões de Trabalhadores da EMEF, CP-Carga e CP e com as Comissões de Utentes das linhas de Sintra, Cascais, Azambuja e Sado, vão realizar, no dia 26 de Maio - Quarta Feira -  uma Tribuna Pública, com o lema "DIGA NÃO ÀS PRIVATIZAÇÕES".
Esta iniciativa que contará com a presença de sindicalistas britânicos do Sindicato RMT (Rail, Maritime and Transports), terá inicio às 10 horas, em Lisboa, no Jardim S. Pedro de Alcântara.


Escala de Revisores do Cais do Sodre

Determinação dos trabalhadores faz recuar CP-Lisboa, relativamente à escala da revisão do Cais do Sodré


Em reunião, hoje realizada, a CP-Lisboa informou que a escala de Verão da revisão do Cais do Sodré. será igual à do ano passado, conforme reivindicação dos trabalhadores e que entrará em vigor no dia 6 de Junho.



quarta-feira, 19 de maio de 2010

Refer recebe luz verde para construir novo túnel em Alcântara


Já há Declaração de Impacte Ambiental favorável do projecto do túnel da linha de Cascais.
A Refer está agora apenas dependente dos Ministérios das Finanças e das Obras Públicas para arrancar com o investimento para a ligação em desnivelamento - em túnel - da linha de Cascais à linha de Cintura, no que será o novo nó de Alcântara. Face à conjuntura económica difícil e aos limites de investimento público impostos pelo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), o Governo está a reavaliar a prioridade dos investimentos na rede ferroviária convencional. Falta ainda saber se esse projecto irá avançar ou se será adiado.
Se avançar, como defendem os responsáveis da Refer, a ligação já tem luz verde do Ministério do Ambiente. O Diário Económico apurou que a Agência Portuguesa do Ambiente, organismo tutelado pelo ministério liderado por Dulce Pássaro, já aprovou, há cerca de dois meses, a DIA - Declaração de Impacte Ambiental deste projecto.
A aprovação da DIA efectuada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) foi, no entanto, condicionada. Uma das primeiras exigências feitas à Refer neste empreendimento é a "preservação do edifício da Estação de Alcântara, bem como a gare que lhe está associada, tendo em conta o elevado valor patrimonial e histórico dessa estação e as potencialidades que esta oferece para adaptação a outros usos num contexto de usufruto público deste espaço", refere o documento.


Nuno Miguel Silva

Postal Ferroviario

terça-feira, 18 de maio de 2010

Curiosidades Fertagus - é facil ser privado em Portugal

168.448.148,60 Euros
Foi quanto o Governo entregou á Fertagus nos ultimos 5 anos, pelos serviço publico que presta!


O Dobro
É quanto custa um bilhete na Fertagus em comparaçao com um bilhete para a mesma distancia na CP







CP deixa na gaveta estudo de 380 mil euros para melhorar os horários dos comboios

A CP tem vindo a adiar a aplicação de um estudo da empresa suíça SMA und Partner AG, destinado a melhorar a oferta ferroviária a nível nacional e que custou 380 mil euros.


Uma das primeiras medidas do primeiro governo de Sócrates foi parar as obras de modernização da Linha do Norte 


Este trabalho - designado Impulso e realizado em parceria com a Ferbritas (afiliada da CP) - foi adjudicado no início de 2009 e pretendia "uma reformulação geral da rede para melhorar as correspondências e ter uma perspectiva mais comercial, numa lógica de oferta geral do serviço e mais de acordo com a procura", segundo dizia o presidente da CP, Cardoso dos Reis, ao PÚBLICO em Agosto do ano passado.

Na prática, isso traduzia-se em menos transbordos e na optimização da relação directa Porto-Faro (que pode ser feita em menos tempo do que as actuais seis horas), na introdução de horários cadenciados (sempre aos mesmos minutos nas estações) e na fiabilidade da relação Tomar-Lisboa. Pretendia-se ainda melhorar o serviço suburbano na linha de Cintura, onde coexistem comboios da CP e da Fertagus.

O modelo do Impulso baseava-se nos caminhos-de-ferro suíços, onde existe um horário em rede com um mínimo de transbordos, acabando assim com inúmeras rupturas nas viagens da CP em que as pessoas têm de apanhar vários comboios para percursos relativamente curtos.

A empresa esperava introduzir estas alterações já em Dezembro do ano passado, mas adiou a nova oferta para Abril deste ano, acabando, contudo, por não a pôr em prática. O seu gabinete de comunicação não explicou as razões deste cancelamento ou adiamento, mas o PÚBLICO apurou que decorre uma auditoria interna para averiguar as condições em que este estudo foi adjudicado.

Não é, pois, de esperar grandes melhorias nos horários da CP nos próximos tempos, até porque, do lado da infra-estrutura, há poucos investimentos em curso que permitam reduzir os tempos de percurso. As excepções são as variantes da Trofa (que vão permitir o reforço da oferta entre o Porto e o Minho) e de Alcácer, que poupará alguns minutos na relação Lisboa-Algarve.

E entre Lisboa e o Porto? Uma das primeiras medidas do primeiro governo de Sócrates foi parar as obras de modernização da Linha do Norte, tendo em conta as decisões tomadas acerca do avanço do TGV Lisboa-Porto, entretanto adiado dois anos (de 2015 para 2017).

Uma terça parte deste corredor permanece, assim, com carris e travessas antigos, fazendo da viagem entre as duas cidades um autêntico rali, sobretudo para o Alfa Pendular e Intercidades, obrigados a adaptar a sua velocidade ao mau estado da linha.

O PÚBLICO também questionou a Refer sobre o reinício da modernização da Linha do Norte, mas não obteve resposta. Sabe-se, contudo, que alguns dos investimentos previstos estão a ser reanalisados à luz da nova realidade do Plano de Estabilidade e Crescimento.







in Publico

Reavaliação poderá atrasar ligação do TGV a Lisboa até 2015

As obras de construção do troço Poceirão-Caia em Alta Velocidade já vão ser visíveis no terreno em Setembro, mas a ligação entre Lisboa e Poceirão, essencial para pôr nos carris o TGV até Madrid e que inclui a terceira travessia do Tejo, vai ser definitivamente repensada.


António Mendonça, ministro das Obras Públicas, assinou no dia 08 de Maio o contrato de concessão da primeira fase do projecto, mas não quis explicar mais detalhes sobre o adiamento, já anteontem anunciado por José Sócrates em Bruxelas. Disse apenas que "não está em causa a ligação Lisboa-Madrid em 2013" e que "há soluções técnicas de transição".

O ministro refere-se à possibilidade de fazer avançar a obra da terceira ponte sobre o Tejo apenas na sua componente ferroviária, deixando-a preparada para receber a construção do tabuleiro quando a situação financeira melhorar. O investimento de quase dois mil milhões de euros que está previsto para esta ligação tem apenas assegurado uma pequena fatia de 172 milhões de euros de fundos comunitários. Segundo António Mendonça, foram "as circunstâncias actuais" da economia que ditaram esta decisão, e que também veio afectar a construção do novo aeroporto (ver caixa). É através desta estratégia de reavaliação de grandes projectos, da antecipação de algumas medidas inscritas no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) e de outros novos cortes que estão a ser ponderados que o Governo espera conseguir cumprir o que prometeu na sexta-feira a Bruxelas: reduzir este ano o défice para 7,3 por cento, em vez da anterior meta de 8,3 por cento, o que equivale a poupanças da ordem dos 1600 milhões de euros (ver textos na página ao lado e página 20).

Já esta semana Vítor Constâncio tinha considerado que seria normal suspender os investimentos programados, numa fase em que é preciso reforçar o PEC e reduzir mais o défice. Para Cavaco Silva, a decisão de repensar o troço Lisboa-Poceirão "vai ao encontro daquilo que muitos economistas e políticos têm defendido". O Presidente da República, que falava em Óbidos, reúne-se amanhã com um grupo de ex-ministros das Finanças (incluindo dois socialistas) que defendem a suspensão das grandes obras públicas.

Ponte sem carros

Neste momento, António Mendonça já tem na sua posse o relatório final do júri que avaliou as três propostas que se apresentaram ao segundo concurso lançado pela Rave. A Tave Tejo, liderada pelos espanhóis FCC, foi a que apresentou as melhores condições financeiras.

O PÚBLICO confirmou junto dos concorrentes que ainda não houve uma notificação formal sobre os resultados dessa avaliação, nem quais são os dois consórcios que passam à fase de negociações para apresentarem as suas propostas BAFO (Best and Final Offer). Tudo indica que passarão o consórcio Tave Tejo, e os portugueses da Altavia, liderados pela Mota-Engil. Pelo caminho ficará a proposta apresentada pelo Elos, que garantiu a vitória na primeira Parceria Público-Privada para a Alta Velocidade, e que ontem assinou o contrato de concessão.

Se o ministro reafirma o compromisso de ligar Lisboa a Madrid em 2013, já o professor de engenharia civil que assina o projecto da Tave Tejo é mais cauteloso e admite que os compromissos "poderão muito bem ser adiados para 2014 ou 2015".

Ao PÚBLICO, Adão da Fonseca, catedrático da Faculdade de Economia do Porto, diz que, para já, o processo ainda está a decorrer dentro dos prazos, e o que estava inicialmente previsto - iniciar os trabalhos no segundo semestre deste ano para ter a construção da parte ferroviária no terreno em 2012 - ainda pode ser cumprido. "Estamos a falar de prazos apertados de construção, mas ainda é possível conseguir esse calendário. Mas também não será grave se, em vez de 2013, os comboios só circularem em 2014. O que me parece importante é que circulem e Portugal esteja integrado numa rede de mobilidade europeia cuja necessidade é tão visível como [mostram] as últimas restrições no espaço aéreo", argumenta.

Tal como no processo da Auto-Estradas do Centro - o primeiro projecto a ser "sacrificado" pelo Governo para tranquilizar mercados e apelos da sociedade civil - o projecto da terceira travessia do Tejo vai ser redimensionado na fase das negociações com os concorrentes. Não será, por isso, necessário lançar um novo concurso. Até porque, diz Adão da Fonseca, as peças (tabuleiro rodoviário, ferroviário, acessibilidades) estão bem identificadas no processo e, tecnicamente, "é perfeitamente possível avançar com a obra de uma forma faseada".

A decisão de "congelar", por agora, o tabuleiro rodoviário poderá significar uma poupança na ordem dos 700 milhões de euros. Contudo, os custos de construção podem ser maiores quando, mais tarde, o Governo quiser construir esta infra-estrutura. As maiores economias serão nas acessibilidades que deixam de ser precisas na margem de Lisboa e no Barreiro.

Ontem, no Ministério das Obras Públicas, em Lisboa, uma sala cheia - com Mário Lino sentado na primeira fila - aplaudiu a assinatura do contrato de concessão entre o Estado e a Elos, o consórcio que vai construir o primeiro troço de Alta Velocidade em Portugal. A preparação da obra durou dois anos e meio, o que para as empresas envolvidas fez com que "alguns projectos lá fora tivessem de ficar para trás", disse Pedro Gonçalves, presidente da Soares da Costa.

Sem querer comentar a opção política dos investimentos, apelou a que todas as decisões sobre adiamento ou suspensão sejam tomadas em conjunto com os empresários e com "largo consenso, para dar estabilidade" e permitir ao sector privado "orientar as suas opções". "O que necessitamos é de um quadro claro para o desenvolvimento da actividade futura", disse, acrescentando que as empresas não podem "ser chamadas para picos de desenvolvimento" e depois terem de se dimensionar.

Para já, certo é que o TGV entre Poceirão e Caia estará pronto em 2013, mas dificilmente o comboio rápido conseguirá chegar a horas a Lisboa.





in Publico

Travão na 3.ª travessia pára oficinas do TGV

A anulação do concurso para o segundo troço da alta velocidade entre Lisboa e o Poceirão vai provocar o adiamento da instalação do Parque de Máquinas e Oficinas (PMO) entre o Barreiro e a Moita, que já tinha recebido luz verde do Ministério do Ambiente. O deputado socialista eleito pelo Barreiro Eduardo Cabrita reafirmou ontem que o projecto do TGV é para avançar na totalidade, ou seja, entre Lisboa e Madrid, incluindo a terceira travessia sobre o Tejo.


O PMO é uma infra-estrutura fundamental para a rede ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid e destina-se a assegurar a manutenção dos comboios e o estacionamento das composições durante os momentos de paragem.
Dada a forte associação ao TGV, a criação do parque será adiada, tal como a construção da ligação entre Lisboa e o Poceirão. O secretário de Estado dos Transportes anunciou na semana passada a anulação do concurso do troço Lisboa-Poceirão devido a razões técnicas e também financeiras.
Este concurso já estava numa fase avançada, com dois consórcios escolhidos, um dos quais espanhol. O processo foi marcado pela polémica, com a Altavia (o consórcio liderado pela Mota-Engil) a contestar a Tave Tejo (liderado pela espanhola FCC) e a ameaçar contestar o concurso em tribunal.
Entretanto, o deputado Eduardo Cabrita garantiu ontem ter recebido do Governo a garantia de que a terceira travessia sobre o Tejo, com o componente rodoviário para além do ferroviário, é mesmo para avançar.
PORMENORES
ESPANHÓIS
O presidente do grupo espanhol FCC considerou Portugal um destino "prioritário" para a empresa, apesar de ter visto anulado o concurso do TGV.
POCEIRÃO
O Governo adjudicou, no passado dia 8, a construção do primeiro troço da linha de alta velocidade entre o Poceirão e Lisboa, por 1,4 mil milhões de euros.
POLÉMICA
O adiamento dos grandes projectos tem vindo a instalar a polémica entre políticos, economistas e governantes, mesmo no interior do PS.

Raquel Oliveira
in Correio da Manha

Lá fora - Inglaterra, Veiculo ferroviario movido a energia eólica

Construido e utilizado em 1824

Postal Ferroviario